{"id":322,"date":"2017-12-18T13:18:35","date_gmt":"2017-12-18T15:18:35","guid":{"rendered":"http:\/\/humanitat.com.br\/?p=322"},"modified":"2024-02-26T16:26:38","modified_gmt":"2024-02-26T19:26:38","slug":"agua-e-o-planejamento-urbano-licoes-da-holanda-contemporanea-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/agua-e-o-planejamento-urbano-licoes-da-holanda-contemporanea-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"A \u00e1gua e o planejamento urbano: li\u00e7\u00f5es da Holanda contempor\u00e2nea para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dentre os desafios contempor\u00e2neos das cidades brasileiras, a quest\u00e3o h\u00eddrica \u00e9 uma urg\u00eancia. O r\u00e1pido e enorme crescimento das cidades n\u00e3o foi acompanhado por um aumento proporcional na prote\u00e7\u00e3o contra alagamentos e inunda\u00e7\u00f5es, tampouco por um aumento da qualidade paisag\u00edstica na rela\u00e7\u00e3o entre rios e cidades. Rios e c\u00f3rregos continuam sendo canalizados, retificados e concretados; os espa\u00e7os p\u00fablicos ao longo de cursos d\u2019\u00e1gua s\u00e3o desqualificados; enchentes e alagamentos continuam um problema.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais de 80% dos 200 milh\u00f5es de brasileiros vivem hoje em cidades, onde devemos concentrar os esfor\u00e7os para um desenvolvimento sustent\u00e1vel. Ainda nos anos 1960, o Brasil era um pa\u00eds majoritariamente rural. Esse enorme e r\u00e1pido crescimento das cidades gerou um conflito na quest\u00e3o h\u00eddrica. Entre as apostas question\u00e1veis, est\u00e3o as estruturas de drenagem obsoletas; retifica\u00e7\u00e3o de rios, concretagem das margens e tubula\u00e7\u00e3o de rios e c\u00f3rregos; ocupa\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de enchentes e alagamentos pela cidade formal e informal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Considerando as cidades como o habitat humano, e os rios urbanos como uma rela\u00e7\u00e3o entre natureza e cultura, trazer boas pr\u00e1ticas na rela\u00e7\u00e3o entre rios e cidades \u00e9 contribuir para o desenvolvimento sustent\u00e1vel das cidades brasileiras.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Holanda \u00e9 o delta de diversos rios europeus e a rela\u00e7\u00e3o com rios, \u00e1guas subterr\u00e2neas, mar e chuvas sempre teve um papel de destaque na forma\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio e na urbaniza\u00e7\u00e3o. Esta rela\u00e7\u00e3o se estabeleceu ao longo dos s\u00e9culos, se modificou, e continua se modificando nos tempos atuais, determinada por quest\u00f5es econ\u00f4micas, culturais e na maneira de se enxergar a \u00e1gua. As \u00e1guas deixaram de ser vistas apenas sob a \u00f3tica da funcionalidade, passando atualmente por uma abordagem mais integrada entre os processos naturais e as quest\u00f5es paisag\u00edsticas, sociais, de lazer, de recrea\u00e7\u00e3o, que fazem parte das necessidades humanas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dentro de um contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e um futuro de incertezas, em que as obras tradicionais de engenharia n\u00e3o s\u00e3o mais suficientes para o manejo das \u00e1guas urbanas, as cidades devem estar preparadas para serem mais resistentes, mais resilientes, e, sobretudo, mais adapt\u00e1veis. Conhecer as experi\u00eancias holandesas nessa dire\u00e7\u00e3o \u00e9 aprender li\u00e7\u00f5es valiosas para, com a correta contextualiza\u00e7\u00e3o dentro da realidade brasileira, caminharmos para uma rela\u00e7\u00e3o mais equilibrada entre cidades e rios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dentre os projetos em curso na Holanda, tr\u00eas destacam-se pela sua aplicabilidade dentro do contexto brasileiro. S\u00e3o eles: Water Squares, The River as a Tidal Park e Room for the River, como veremos a seguir.<\/span><\/p>\n<p><strong>Water Squares &#8211; Pra\u00e7as da \u00c1gua<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A riqueza h\u00eddrica do nosso pa\u00eds gerou centenas de cidades situadas ao longo dos rios e cursos d\u2019\u00e1gua e a urbaniza\u00e7\u00e3o gera um descompasso no ciclo da \u00e1gua.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O r\u00e1pido processo de urbaniza\u00e7\u00e3o brasileiro, somado a uma condi\u00e7\u00e3o de clima tropical com alta precipita\u00e7\u00e3o, resultou numa infraestrutura de drenagem obsoleta, que n\u00e3o \u00e9 mais capaz de gerenciar a quantidade de chuvas que temos no ambiente constru\u00eddo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A solu\u00e7\u00e3o tradicional se concentra na recapacita\u00e7\u00e3o da estrutura: canaliza\u00e7\u00e3o de rios e aumento do di\u00e2metro da tubula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cMas quais s\u00e3o os valores adicionais que podem surgir de uma vis\u00e3o puramente funcional? A necessidade da gest\u00e3o h\u00eddrica gera tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de oportunidades\u201d, questiona Taneha Bacchin, coordenadora do grupo de pesquisa em Urbanismo de Deltas da Universidade T\u00e9cnica de Delft. \u201cDevemos pensar em atualizar essa estrutura, mas faz\u00ea-la sob um novo paradigma, redesenhando o tecido urbano, para armazenar \u00e1gua no espa\u00e7o, com a uni\u00e3o entre o espa\u00e7o aberto e subterr\u00e2neo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em vez de recapacitar a estrutura do modo tradicional, um processo caro, que atrapalha a popula\u00e7\u00e3o (com o fechamento de ruas) e sem apelo pol\u00edtico (j\u00e1 que a tubula\u00e7\u00e3o fica escondida), ela sugere manter as redes existentes, mas incluir ajardinamento do espa\u00e7o aberto, \u00e1reas de deten\u00e7\u00e3o, espelhos d\u2019\u00e1gua &#8211; espa\u00e7os que s\u00f3 ser\u00e3o inundados em caso de necessidade. \u00c9 um processo de descentraliza\u00e7\u00e3o, incluindo quadras e parcelas que n\u00e3o s\u00e3o mais conectadas \u00e0 drenagem. \u201cDevemos pensar em estruturas h\u00edbridas. N\u00e3o desconectar tudo, mas incluir espa\u00e7os abertos\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Um bom exemplo pr\u00e1tico de aplica\u00e7\u00e3o desse conceito \u00e9 o projeto Water Squares, na cidade de Roterd\u00e3, Holanda. Tratam-se de quadras esportivas para uso da popula\u00e7\u00e3o, mas que tamb\u00e9m funcionam como \u00e1rea de deten\u00e7\u00e3o de \u00e1guas, em caso de enxurradas. At\u00e9 mesmo o desenho e pintura das quadras enfatizam o car\u00e1ter multifuncional, atrav\u00e9s de uma pintura em tons de azul, como uma piscina, para que a popula\u00e7\u00e3o reconhe\u00e7a como tal. \u201c\u00c9 uma bacia de deten\u00e7\u00e3o como parte do desenho urbano\u201d, explica Taneha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A multifuncionalidade da infraestrutura verde e azul deveria ser considerada no Brasil. Agregar a uma estrutura funcional valores ambientais, como \u00e1reas naturais e ajardinadas, e valores sociais, como parques e quadras, \u00e9 tamb\u00e9m uma solu\u00e7\u00e3o mais econ\u00f4mica para as cidades brasileiras. Isso \u00e9 resolver problemas de forma sustent\u00e1vel atrav\u00e9s do desenho urbano.<\/span><\/p>\n<p>Figura 01 \u2013 Water Squares \u2013 Projeto<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-323 size-full\" src=\"http:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Waterpleinen_image_07.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Waterpleinen_image_07.jpg 605w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Waterpleinen_image_07-320x175.jpg 320w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Waterpleinen_image_07-540x295.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.urbanisten.nl\/wp\/?portfolio=waterpleinen\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.urbanisten.nl\/wp\/?portfolio=waterpleinen<\/a> Acesso em 25 mai. 2017.<\/p>\n<p>Figura 02 \u2013 Water Squares \u2013 Execu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-736 size-full\" src=\"http:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/water-squares.jpg\" alt=\"\" width=\"958\" height=\"638\" srcset=\"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/water-squares.jpg 958w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/water-squares-320x213.jpg 320w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/water-squares-768x511.jpg 768w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/water-squares-540x360.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 958px) 100vw, 958px\" \/><\/p>\n<p>Foto: Walter Weingaertner.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>The River as a Tidal Park &#8211; O Rio como um Parque das Mar\u00e9s<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAs margens dos rios s\u00e3o uma mistura equilibrada entre natureza e cultura\u201d (De Urbanisten)<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma caracter\u00edstica especial na Holanda \u00e9 a presen\u00e7a dos canais. O territ\u00f3rio holand\u00eas est\u00e1, em cerca de \u2156 da sua \u00e1rea, abaixo do n\u00edvel do mar, o que foi poss\u00edvel atrav\u00e9s da constru\u00e7\u00e3o de diques, barragens e canais. Dessa forma, a presen\u00e7a da \u00e1gua na paisagem holandesa \u00e9 uma constante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo os arquitetos do grupo \u201cDe Urbanisten\u201d, a regi\u00e3o de Roterd\u00e3 possui mais de 360 km de margens de rios; por\u00e9m cerca de 70% destes s\u00e3o considerados \u201cduros\u201d, ou seja, revestidos com pedras, concreto ou outros materiais, transformando os rios em meros canais de escoamento de \u00e1gua. Apenas 10% das margens podem ser de fato consideradas naturais. Dessa forma, as fun\u00e7\u00f5es ambientais e sociais s\u00e3o bastante limitadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto The River as a Tidal Park (O Rio como um Parque das Mar\u00e9s, em tradu\u00e7\u00e3o livre), busca redesenhar a transi\u00e7\u00e3o entre o rio e a cidade. A ideia \u00e9 trazer a natureza para as bordas, com a reconstru\u00e7\u00e3o de margens, da fauna e flora e das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que essa ocorra, como o alimento e abrigo para animais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por muito tempo, o rio foi visto apenas como fun\u00e7\u00e3o &#8211; transporte, porto, drenagem, por exemplo &#8211; o que vem mudando consideravelmente nos \u00faltimos 25 anos. Os canais est\u00e3o sujeitos aos fluxos e refluxos das mar\u00e9s. \u201cO rio precisa de espa\u00e7o para seu comportamento natural, incluindo cerca de 1,5 a 2m de oscila\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o Professor Han Meyer, da Universidade T\u00e9cnica de Delft, \u201co projeto cria mais condi\u00e7\u00f5es para a natureza, enfatizando a transi\u00e7\u00e3o &#8211; importante para os ecossistemas naturais &#8211; e trazendo \u00e1reas recreativas no centro da cidade.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A uni\u00e3o entre a estrutura e a paisagem \u00e9 uma caracter\u00edstica de projetos contempor\u00e2neos, em que a paisagem pode ser interpretada como uma nova forma de desenhar a infraestrutura. Taneha Bacchin afirma: \u201cDevemos pensar em benef\u00edcios m\u00faltiplos com a inclus\u00e3o ambiental, dentro do escopo de revitaliza\u00e7\u00e3o urbana e de rios.\u201d. Assim, novos projetos devem estar atentos ao desenho de paisagem, que engloba os ecossistemas naturais. Isso traz uma s\u00e9rie de vantagens adicionais, como a qualidade da \u00e1gua, do ar, ameniza ru\u00eddos, e, consequentemente, vantagens adicionais para os seres humanos. Os benef\u00edcios para a sa\u00fade f\u00edsica e mental, como atividades esportivas ao ar livre e redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de stress, e para as atividades sociais, como oportunidades de lazer e encontro, s\u00e3o inclusive alvo de estudos de economia ambiental. Os estudos colocam valores financeiros como argumentos, em termos de gastos em sa\u00fade e de valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, por exemplo &#8211; j\u00e1 que, infelizmente, parte da popula\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o reconhece a import\u00e2ncia das quest\u00f5es ambientais e sociais.<\/span><\/p>\n<p>Figura 03 \u2013 The River as a Tidal Park \u2013 As margens \u201cduras\u201d dos canais de Roterd\u00e3.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-325 size-full\" src=\"http:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/UB_River-as-Tidal-Park03.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/UB_River-as-Tidal-Park03.jpg 605w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/UB_River-as-Tidal-Park03-320x175.jpg 320w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/UB_River-as-Tidal-Park03-540x295.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.urbanisten.nl\/wp\/?portfolio=river-as-tidal-park\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.urbanisten.nl\/wp\/?portfolio=river-as-tidal-park<\/a> Acesso em 25 mai. 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 04 \u2013 The River as a Tidal Park \u2013 Projeto<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-326 size-full\" src=\"http:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/UB_River-as-Tidal-Park14.jpg\" alt=\"\" width=\"605\" height=\"331\" srcset=\"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/UB_River-as-Tidal-Park14.jpg 605w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/UB_River-as-Tidal-Park14-320x175.jpg 320w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/UB_River-as-Tidal-Park14-540x295.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 605px) 100vw, 605px\" \/><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.urbanisten.nl\/wp\/?portfolio=river-as-tidal-park\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.urbanisten.nl\/wp\/?portfolio=river-as-tidal-park<\/a> Acesso em 25 mai. 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Room for the River &#8211; Espa\u00e7o para o Rio<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Programa Holand\u00eas \u201cRuimte voor de Rivier\u201d, tamb\u00e9m conhecido como \u201cRoom for the River\u201d (ou Espa\u00e7o para o Rio, em tradu\u00e7\u00e3o livre), tem como objetivo dar mais espa\u00e7o para as \u00e1guas, para que o pr\u00f3prio rio possa administrar suas \u00e1guas, em caso de cheias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A regi\u00e3o de Deltas \u00e9 bastante sens\u00edvel, tanto do ponto de vista ecol\u00f3gico quanto de press\u00f5es humanas para uso e ocupa\u00e7\u00e3o da costa. Al\u00e9m disso, interven\u00e7\u00f5es a montante se refletem em maior intensidade a jusante. E \u00e9 na costa holandesa que desembocam tr\u00eas importantes rios: Reno, Maas e Scheldt. \u201cO Reno \u00e9 bastante urbanizado em toda a sua extens\u00e3o, e os problemas que a eros\u00e3o acarreta acabam se concentrando na Holanda\u201d, afirma Han Meyer. \u201c\u00c9 preciso organiza\u00e7\u00f5es nacionais que tenham a responsabilidade de gerenciar as \u00e1guas, e tamb\u00e9m no n\u00edvel europeu\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ap\u00f3s as grandes enchentes de 1993 e 1995, 250 mil pessoas evacuadas, e um contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o governo holand\u00eas tomou medidas dentro de uma nova abordagem. \u201c\u00c9 um projeto do minist\u00e9rio que diz \u201cn\u00e3o\u201d para a engenharia tradicional, e diz \u201csim\u201d para n\u00e3o-obras, para abrir os leitos\u201d, explica Taneha. \u201cOs processos tradicionais de engenharia n\u00e3o s\u00e3o suficientes frente a um cen\u00e1rio de incertezas (como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas) e as experi\u00eancias recentes nos mostram que precisamos aprender com os processos naturais\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Professor Meyer complementa: \u201cHavia pol\u00edticas p\u00fablicas para distribui\u00e7\u00e3o populacional, por\u00e9m nos \u00faltimos 15 anos, dentro de uma pol\u00edtica governamental de n\u00e3o interferir nas liberdades individuais, as grandes cidades est\u00e3o crescendo novamente e a urbaniza\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo em \u00e1reas de risco. A pergunta \u00e9 \u201ccomo podemos manter boas condi\u00e7\u00f5es de vida e mantermos as pessoas em seguran\u00e7a. \u00c9 disso que se trata o urbanismo de deltas\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em mais de 30 pontos do pa\u00eds, foram tomadas medidas para que o rio possa inundar com seguran\u00e7a. Como cada rio e cada trecho possuem caracter\u00edsticas peculiares, cada solu\u00e7\u00e3o \u00e9 desenhada sob medida. A ilustra\u00e7\u00e3o abaixo apresenta algumas das principais medidas tomadas, como retirada ou reloca\u00e7\u00e3o de aterros, diques e estruturas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. H\u00e1 outros valores adicionais que foram trazidos \u00e0 tona. Um bom exemplo \u00e9 a cidade de Nijmegen, que ganhou, adicionalmente, um grande parque p\u00fablico em \u00e1reas que podem ser, eventualmente, alagadas. No in\u00edcio, a popula\u00e7\u00e3o era contr\u00e1ria, pois havia muitos conflitos de reassentamentos, por exemplo. Mas hoje a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 bastante satisfeita, com o acr\u00e9scimo de espa\u00e7os p\u00fablicos para o lazer e o encontro das pessoas. E encontrar essa combina\u00e7\u00e3o entre seguran\u00e7a, bem-estar (econ\u00f4mico e social) e ecologia foi o grande desafio do projeto. \u201cPor muito tempo, consideramos apenas a seguran\u00e7a e a economia. Mas se n\u00e3o prestarmos aten\u00e7\u00e3o \u00e0s quest\u00f5es ecol\u00f3gicas, o delta toma de volta. N\u00f3s precisamos encontrar um novo equil\u00edbrio\u201d, afirma Meyer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cPrestar mais aten\u00e7\u00e3o no rio, n\u00e3o apenas como algo perigoso, ou muito importante sob um ponto de vista funcional (porque \u00e9 um corredor de transporte), mas prestar aten\u00e7\u00e3o especialmente nas caracter\u00edsticas naturais dele, na vida ecol\u00f3gica relacionada ao rio, e na maneira que o rio pode desempenhar um papel para o lazer dos cidad\u00e3os\u201d, finaliza.<\/span><\/p>\n<p>Figura 05 \u2013 Room for the River \u2013 principais medidas adotadas<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-324 size-full\" src=\"http:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Unbenannt.jpg\" alt=\"\" width=\"936\" height=\"755\" srcset=\"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Unbenannt.jpg 936w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Unbenannt-320x258.jpg 320w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Unbenannt-768x619.jpg 768w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Unbenannt-540x436.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 936px) 100vw, 936px\" \/><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.ruimtevoorderivier.nl\/english\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.ruimtevoorderivier.nl\/english\/<\/a> Acesso em 25 mai. 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A Holanda contempor\u00e2nea lida com as \u00e1guas em dire\u00e7\u00e3o a uma integra\u00e7\u00e3o entre os processos naturais e as necessidades humanas, sejam estas sociais ou econ\u00f4micas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto Water Squares mostra uma solu\u00e7\u00e3o h\u00edbrida entre estruturas convencionais de drenagem e novas estruturas que funcionam como paisagismo ou lazer, e que podem ser eventualmente alagadas. Uma solu\u00e7\u00e3o mais econ\u00f4mica e com menores transtornos para atualizar as estruturas de drenagem &#8211; e com ganhos adicionais em qualidade de vida para os cidad\u00e3os.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto O Rio como um Parque das Mar\u00e9s se ocupa da renaturaliza\u00e7\u00e3o de rios e bordas, que ao longo dos s\u00e9culos foram retificadas e fixadas, como uma forma de trazer novamente a natureza para os centros urbanos, ao mesmo tempo em que traz mais \u00e1reas recreacionais para as cidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O projeto Espa\u00e7o para o Rio compreende que, em casos de cheias, a solu\u00e7\u00e3o mais eficiente vem de promover mais espa\u00e7o para que o rio possa inundar, uma vis\u00e3o quase oposta do que era praticado h\u00e1 algumas d\u00e9cadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a realidade brasileira, o pa\u00eds mais rico em \u00e1gua e biodiversidade do mundo, e que ainda carece de pol\u00edticas sociais, os tr\u00eas projetos citados servem como inspira\u00e7\u00e3o para um futuro mais sustent\u00e1vel.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00eas projetos em curso na Holanda: Water Squares, The River as a Tidal Park e Room for the River.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":340,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1,11,13],"tags":[],"class_list":["post-322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-capa","category-destaque"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/MG_9434.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1222,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/322\/revisions\/1222"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/media\/340"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}