{"id":370,"date":"2018-02-06T13:09:57","date_gmt":"2018-02-06T15:09:57","guid":{"rendered":"http:\/\/humanitat.com.br\/?p=370"},"modified":"2018-08-11T22:06:24","modified_gmt":"2018-08-12T01:06:24","slug":"ribeira-da-granja-um-marco-para-a-renaturalizacao-dos-rios-portugueses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/ribeira-da-granja-um-marco-para-a-renaturalizacao-dos-rios-portugueses\/","title":{"rendered":"Ribeira da Granja: um marco para a renaturaliza\u00e7\u00e3o dos rios portugueses"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ribeira \u00e9 como os portugueses se referem aos cursos de \u00e1gua que, no Brasil, conhecemos como ribeir\u00f5es. E um desses mananciais, a Ribeira da Granja, na Cidade do Porto, tornou-se o marco do processo de renaturaliza\u00e7\u00e3o de rios em Portugal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De 2009 a 2013, o engenheiro Pedro Teiga deu apoio, como consultor, para a renaturaliza\u00e7\u00e3o das linhas de \u00e1gua da enseada do Porto. Primeiro foi feita uma avalia\u00e7\u00e3o dessas linhas de \u00e1gua, em termos de cartografia. Era preciso saber seu tamanho, e quais seriam os priorit\u00e1rios para serem renaturalizados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Alguns estavam muito \u201cmal de sa\u00fade\u201d, \u201cverdadeiras cloacas\u201d, nas palavras de Teiga. Mas outros tinham um grande potencial para aprendizagem: poderiam ensinar pol\u00edticos e t\u00e9cnicos como seria valioso retirar os rios de galerias subterr\u00e2neas, devolv\u00ea-los \u00e0 superf\u00edcie, e como estes poderiam se tornar um corredor ecol\u00f3gico dentro da pr\u00f3pria cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Numa primeira fase, foi feito um piloto, tendo como cen\u00e1rio a Ribeira da Granja. Foi poss\u00edvel utilizar as t\u00e9cnicas de engenharia natural para a estabiliza\u00e7\u00e3o das margens, com a utiliza\u00e7\u00e3o da fibra de coco, de entran\u00e7ados e de muros vivos, bem como do refor\u00e7o da vegeta\u00e7\u00e3o ciliar. Esse processo acabou por mobilizar tamb\u00e9m a popula\u00e7\u00e3o local, criando um envolvimento comunit\u00e1rio com o processo de renaturaliza\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A equipe de Pedro Teiga bateu de porta em porta. Explicou o que seria feito em rela\u00e7\u00e3o ao rio, e como o processo seria realizado. \u201cAs pessoas, que estavam de costas para o rio, passaram a olhar para ele\u201d, explica o engenheiro. Muita gente n\u00e3o acreditava que a o processo pudesse acontecer. Aos poucos, a resist\u00eancia foi vencida. E os jovens foram os primeiros a explorar o novo cen\u00e1rio natural para atividades de conv\u00edvio e lazer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A primeira fase resultou na retirada de tubula\u00e7\u00e3o de 300 metros do Ribeira da Granja. O processo envolveu maquin\u00e1rio pesado, com a destrui\u00e7\u00e3o efetiva das estruturas de concreto. A reconfigura\u00e7\u00e3o do curso, com a recupera\u00e7\u00e3o da mata ciliar, tamb\u00e9m propiciou a cria\u00e7\u00e3o de uma bacia de reten\u00e7\u00e3o contra as cheias. \u00a0Havia casas que eram inundadas por cheias a cada dois anos em m\u00e9dia e que hoje, com as mudan\u00e7as, conseguem ficar at\u00e9 dez anos sem sofrer com as cheias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inunda\u00e7\u00f5es s\u00e3o inevit\u00e1veis, at\u00e9 pela localiza\u00e7\u00e3o destas constru\u00e7\u00f5es. Mas a frequ\u00eancia delas j\u00e1 \u00e9 menor. E quando acontecem, formam-se mais lentamente. As \u00e1guas recuperaram o espa\u00e7o para se espraiar, e correm com menor for\u00e7a e velocidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foram selecionadas as esp\u00e9cies de vegeta\u00e7\u00e3o para serem utilizadas no processo de renaturaliza\u00e7\u00e3o. Uma equipe multidisciplinar cuidou da confec\u00e7\u00e3o, do design e do desenvolvimento e acompanhamento da obra. Esta \u00e9 tamb\u00e9m uma fase muito importante, que pode durar at\u00e9 10 anos \u2013 este \u00e9 o per\u00edodo que Teiga entende como mais adequado para a avalia\u00e7\u00e3o do processo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como piloto, o processo iniciado na Ribeira da Granja tornou a pr\u00e1tica de enterrar os rios e faz\u00ea-los correr por dentro de tubula\u00e7\u00f5es uma p\u00e1gina virada. \u201cPortugal n\u00e3o est\u00e1 mais a \u2018entubar\u2019 rios\u201d, destaca Pedro Teiga.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho resultou em v\u00e1rios benef\u00edcios, n\u00e3o s\u00f3 na qualidade de vida, mas inclusive as conquistas comunit\u00e1rias e sociais que se somam \u00e0 simples restaura\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es naturais do ribeir\u00e3o. Os gestores p\u00fablicos, perceberam que a renaturaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o era apenas ousadia de alem\u00e3es, holandeses ou escandinavos. Ela pode, sim, ocorrer n\u00e3o apenas em uma regi\u00e3o carente do Porto, mas em todo o pa\u00eds. Quem sabe, uma iniciativa como a do Ribeir\u00e3o da Granja possa vir a acontecer no Brasil, desencadeando o mesmo processo junto aos nossos gestores e nossa comunidade.<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como piloto, o processo iniciado na Ribeira da Granja tornou a pr\u00e1tica de enterrar os rios e faz\u00ea-los correr por dentro de tubula\u00e7\u00f5es uma p\u00e1gina virada. \u201cPortugal n\u00e3o est\u00e1 mais a \u2018entubar\u2019 rios\u201d, destaca Pedro Teiga.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":371,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1,11],"tags":[],"class_list":["post-370","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos","category-capa"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/37340782111_8bedd1bae9_o-e1517929778492.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=370"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":527,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/370\/revisions\/527"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/media\/371"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}