{"id":930,"date":"2020-08-04T22:40:53","date_gmt":"2020-08-05T01:40:53","guid":{"rendered":"http:\/\/humanitat.com.br\/?p=930"},"modified":"2020-08-12T16:15:36","modified_gmt":"2020-08-12T19:15:36","slug":"empoderamento-de-comunidades-e-construcao-de-movimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/empoderamento-de-comunidades-e-construcao-de-movimentos\/","title":{"rendered":"Empoderamento de Comunidades e Constru\u00e7\u00e3o de Movimentos"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<h3>Nossos convidados Fred Kent e Katherine Peinhardt debatem &#8216;Placemaking&#8217; como estrat\u00e9gia para a constru\u00e7\u00e3o de espacos p\u00fablicos melhores e mais resilientes.<\/h3>\n<h4>Confira o v\u00eddeo com o Di\u00e1logo Urbano:<\/h4>\n<p><a href=\"https:\/\/youtu.be\/9QjO7WO4vkU\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-935 size-full\" src=\"http:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Miniatura-1.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Miniatura-1.jpg 960w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Miniatura-1-320x180.jpg 320w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Miniatura-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Miniatura-1-540x304.jpg 540w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/youtu.be\/9QjO7WO4vkU\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/youtu.be\/9QjO7WO4vkU<\/a><\/strong><\/p>\n<h4>Ou leia o di\u00e1logo:<\/h4>\n<p><strong>Carolina Nunes:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ol\u00e1! <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Eu sou a Carolina Nunes, arquiteta de ecossistemas urbanos da Humanit\u00e4t. Neste Di\u00e1logo Urbano, falaremos sobre o Empoderamento de Comunidades e a Constru\u00e7\u00e3o de Movimentos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nosso convidado \u00e9 Fred Kent. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Comprometido em transformar espa\u00e7os em que vivemos em lugares que amamos, Fred Kent trabalhou com 3.500 comunidades, em 50 pa\u00edses, h\u00e1 mais de 40 anos. Ele \u00e9 uma lideran\u00e7a no movimento de \u2018Placemaking\u2019, que usa a vis\u00e3o e a experi\u00eancia de uma comunidade para criar melhores espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como um dos fundadores do \u2018Project for Public Spaces\u2019, ele trabalhou em centenas de projetos, incluindo Times Square e Bryant Park na cidade de Nova York; e treinamentos para p\u00fablicos como o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente da Noruega e a Organiza\u00e7\u00e3o de Transporte Holandesa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje, ele faz parte do \u2018Placemaking X\u2019, uma rede para acelerar movimentos de \u2018Placemaking\u2019 em todo o mundo, e tamb\u00e9m trabalha no \u2018The Social Life Project\u2019, que mostra espa\u00e7os amig\u00e1veis \u200b\u200bque promovem a sa\u00fade e a vitalidade econ\u00f4mica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nossa convidada e co-anfitri\u00e3 \u00e9 Katherine Peinhardt. Ela \u00e9 German Chancellor Fellow e Pesquisadora Visitante no DIE &#8211; German Development Institute \/ Deutsches Institut f\u00fcr Entwicklungspolitik. Sua pesquisa se concentra na combina\u00e7\u00e3o de infraestrutura social com planejamento de resili\u00eancia, melhorando a resili\u00eancia urbana por meio de espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela trabalhou como rep\u00f3rter de projetos no \u2018Project for Public Spaces\u2019, contando a hist\u00f3ria do \u2018Placemaking\u2019, sintetizando os projetos e promovendo uma narrativa para a constru\u00e7\u00e3o de cidades em torno de lugares. Katherine tamb\u00e9m trabalhou no \u2018World Resources Institute Ross Center for Sustainable Cities\u2019, coordenando as comunica\u00e7\u00f5es digitais e produzindo conte\u00fado escrito para promover uma vis\u00e3o de desenvolvimento urbano mais sustent\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Oi Fred! \u00c9 uma honra conversar com voc\u00ea e ouvir suas experi\u00eancias sobre o empoderamento de comunidades e a constru\u00e7\u00e3o de movimentos. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Minha primeira pergunta para voc\u00ea \u00e9:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Existe uma lacuna entre as pessoas que est\u00e3o preparadas para discutir o planejamento participativo (por exemplo, arquitetos e incorporadores imobili\u00e1rios) e as pessoas que precisam de lugares adequados para morar (como pessoas em vulnerabilidade social, comunidades afetadas por desastres socioambientais, etc.).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, gostaria de perguntar: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Como podemos preencher essa lacuna? Quais s\u00e3o as melhores maneiras de se comunicar com os membros de uma comunidade e garantir que sua vis\u00e3o ganhe vida no dom\u00ednio p\u00fablico? <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Mas mais do que isso: considerando que nossos sonhos, desejos e demandas s\u00e3o baseados no &#8220;mundo que conhecemos&#8221;, principalmente em nossas experi\u00eancias reais: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Como podemos garantir que a vis\u00e3o da comunidade n\u00e3o seja limitada pela influ\u00eancia de construtoras e outros interesses?<\/span><\/p>\n<p><strong>Fred Kent:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sauda\u00e7\u00f5es!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estou aqui para falar sobre \u2018Placemaking\u2019 (cria\u00e7\u00e3o de lugares) e como as comunidades podem moldar seu futuro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E quero come\u00e7ar com uma grande ideia. Um arquiteto, e isso na verdade me surpreendeu, Christopher Alexander escreveu um livro chamado \u2018A Pattern Language\u2019 (Uma Linguagem de Padr\u00f5es) e tinha esta cita\u00e7\u00e3o: \u201cAs pessoas s\u00e3o profundamente nutridas pelo processo de cria\u00e7\u00e3o da totalidade\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso e essas duas pessoas que est\u00e3o nessa foto, essa mulher, essa mulher idosa, andando numa rua de Paris, nunca saiu da minha mente. H\u00e1 provavelmente 30 anos atr\u00e1s, eu a vi lutar bravamente, caminhando por uma rua sem cruzamentos. Em outras palavras: esta rua era uma rua aberta de ambos os lados, com lojas, caf\u00e9s e coisas desse tipo. Ent\u00e3o ela n\u00e3o precisou atravessar um cruzamento. Essa era possivelmente sua caminhada di\u00e1ria. Mas, quando olhei para ela, percebi o seguinte: \u201cQuantas outras pessoas est\u00e3o em suas casas e n\u00e3o conseguem sair?\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o eu vi essas duas mulheres em Barcelona h\u00e1 alguns meses, desfrutando de um passeio por um bairro com centenas de outras pessoas, todas passeando. E o prazer que vi em seus rostos! Isso me reconfortou, como um grande abra\u00e7o. Como quem diz: \u201cPara quem realmente estamos trabalhando, para quem estamos servindo: as pessoas que n\u00e3o vemos? Sim. Os jovens, os velhos, os enfermos, os pobres, os fracos.\u201d Todas essas pessoas s\u00e3o realmente importantes. Mas o que est\u00e1 acontecendo aqui, e a raz\u00e3o pela qual n\u00e3o entendemos isso, esse tipo de aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas certas para criar a totalidade que todos realmente desejam. E quando eles t\u00eam isso, nossa! As pessoas ficam muito felizes. As ideias do medo, o tipo de objetivos que uma comunidade tem, s\u00e3o objetivos limitados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As disciplinas isoladas s\u00e3o as que determinam todas as determina\u00e7\u00f5es no governo e no mundo profissional. Que o tipo de desenvolvimento \u00e9 mais orientado ao projeto do que ao local. Por isso n\u00e3o estamos realmente obtendo a totalidade, que uma maneira mais ampla de desenvolvimento pode ter. O projeto \u00e9 liderado por profissionais, em vez de liderado por locais, com a comunidade tendo um grande papel. E a estrutura e os regulamentos do governo for\u00e7am o tipo de apresenta\u00e7\u00e3o ou os requisitos de que as disciplinas devem estar no comando de tudo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E isso n\u00e3o funciona. E assim, um dos grandes problemas que sempre tive em mente \u00e9: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cComo contornar isso?\u201d E quando come\u00e7amos a trabalhar, temos a seguinte frase: \u201cCada disciplina se tornou sua pr\u00f3pria plateia\u201d. E quando est\u00e1vamos trabalhando, tivemos que enfrentar todas essas disciplinas, porque todas estavam focadas em suas pr\u00f3prias agendas. Os engenheiros de tr\u00e2nsito, o pessoal de transporte, eles s\u00e3o \u2018donos\u2019 das ruas. Os designers s\u00e3o os \u2018donos\u2019 dos edif\u00edcios. E \u00e9 o edif\u00edcio, da maneira como foi projetado &#8211; n\u00e3o da maneira como as pessoas o usaram &#8211; que se tornou a agenda para eles. E eles foram julgados por outras pessoas da mesma especialidade, e n\u00e3o pela forma como se deram os resultados nas comunidades onde eles constru\u00edram.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E isso costumava ser uma grande parte do fracasso nas comunidades, ou seja, o que elas recebiam n\u00e3o tinha nada a ver com as suas necessidades, ou como realmente queriam viver. E o que aconteceu h\u00e1 cerca de 40 anos, essas s\u00e3o as disciplinas em que trabalhamos, e com as quais trabalhamos. E cada disciplina foi muito dif\u00edcil, porque todos tinham que estar \u00e0 mesa, todos tinham que ter a palavra, todos tinham que criar os resultados que desejavam.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Bem, adivinhe o que aconteceu? Essas dezenas de disciplinas se multiplicaram, provavelmente por um fator de duas a cinco vezes. E agora voc\u00ea n\u00e3o pode fazer um projeto em uma cidade sem todas essas diferentes especialidades. E eles s\u00e3o todos especialistas, frequentaram escolas profissionais, s\u00e3o pessoas de alto n\u00edvel e altamente qualificadas dentro da sua \u00e1rea de conhecimento. Mas eles s\u00e3o qualificados para as pessoas para quem trabalham, nas comunidades? E \u00e9 a\u00ed que acho que h\u00e1 um grande fracasso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o o que aconteceu \u00e9: criamos todas essas disciplinas isoladas, mas tamb\u00e9m esses lugares isolados. Portanto, temos todos estes lugares diferentes: os centros comunit\u00e1rios, parques, bibliotecas, est\u00e3o todos em setores separados, em edif\u00edcios diferentes, e cada um deles faz suas pr\u00f3prias coisas. E eles n\u00e3o convergem em torno dos objetivos comuns ou da sensa\u00e7\u00e3o de um lugar maior. Eles n\u00e3o convergem em torno disso. Portanto, \u2018Placemaking\u2019 sempre foi nosso forte. E tornou-se cada vez mais necess\u00e1rio globalmente e h\u00e1 um grande movimento para apoiar isso. Assim, \u00e9 uma fun\u00e7\u00e3o humana din\u00e2mica. \u00c9 realmente um ato de liberta\u00e7\u00e3o, de reivindica\u00e7\u00e3o de estaca, de embelezamento, e \u00e9 na verdade o empoderamento das pessoas. E uma vez que voc\u00ea obt\u00e9m isso, obt\u00e9m grandes impactos como resultado disso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o que dir\u00edamos \u00e9 o seguinte: quando voc\u00ea se concentra no lugar, muda tudo. E \u00e9 essa mudan\u00e7a que realmente entrega os resultados que estamos procurando. Por isso, criamos estes 11 princ\u00edpios e escrevemos um livro chamado \u2018How to turn a place around\u2019 (Como mudar um lugar). E o primeiro princ\u00edpio \u00e9 que a comunidade \u00e9 a especialista. E imediatamente tudo muda. Assim que voc\u00ea percebe isso, essa \u00e9 realmente a quest\u00e3o b\u00e1sica, quem apoiamos e quem s\u00e3o os profissionais reais, que \u00e9 a comunidade. E que estamos criando um lugar. N\u00e3o \u00e9 apenas um design. E que eles n\u00e3o podem fazer isso sozinhos: s\u00e3o necess\u00e1rias v\u00e1rias camadas de pessoas trabalhando nisso juntos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E sempre h\u00e1 pessoas que dizem: \u201cIsso n\u00e3o pode ser feito\u201d. Quero dizer, o engenheiro de tr\u00e1fego dir\u00e1: \u201cBem, voc\u00ea n\u00e3o pode diminuir o tr\u00e1fego aqui\u201d ou \u201cVoc\u00ea n\u00e3o pode dificultar a convers\u00e3o\u201d ou \u201cN\u00e3o vamos tirar uma faixa de tr\u00e1fego da estrada aqui porque o tr\u00e1fego \u00e9 o que impulsiona a economia\u201d. E podemos continuar citando exemplos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o o que fazemos \u00e9: Criamos uma vis\u00e3o com a comunidade. E criamos o que chamamos de \u2018Ativa\u00e7\u00f5es mais leves, mais r\u00e1pidas e mais baratas\u2019, e isso se torna a base para o crescimento daquele local.<\/span><\/p>\n<p><strong>Carolina Nunes:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muito obrigada por essa excelente explana\u00e7\u00e3o, Fred! E agora, tenho uma segunda pergunta para voc\u00ea: <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Existem boas pr\u00e1ticas no planejamento urbano. Projetos que mudaram n\u00e3o apenas uma pra\u00e7a ou um bairro, mas tamb\u00e9m a cidade e outros aspectos, como desenvolvimento econ\u00f4mico. Mas esses projetos, embora participativos, geralmente s\u00e3o liderados pelos governos. Voc\u00ea trabalha diretamente com as comunidades.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voc\u00ea pode fornecer um ou mais exemplos de um movimento liderado pela comunidade que mudaram uma cidade e como eles foram implementados?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obrigada<\/span><\/p>\n<p><strong>Fred Kent:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o agora eu quero recorrer a um projeto que me deixou absolutamente chocado, quando eu realmente fui v\u00ea-lo. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Fica em Toronto e foi absolutamente e espantosamente horr\u00edvel. N\u00e3o poderia ter sido pior. E, no entanto, ganhou o pr\u00eamio de paisagismo para o Canad\u00e1, cerca de cinco anos atr\u00e1s. E \u00e9 o que chamamos de liderado pelo design.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o, n\u00e3o muito longe dali, em um parque, em um bairro que teve muitas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, como crime e problemas de sa\u00fade, havia outro parque com muitas \u00e1rvores e grama. Mas n\u00e3o usos muito bons. E a pessoa que realmente o transformou estava prestes a ter um beb\u00ea e ela teve que decidir se queria\u2026 se deveria ter medo ou ficar (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">assustada)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> *aborrecida. E ela escolheu ficar (<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">assustada)<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> *aborrecida e voc\u00ea ver\u00e1 o que aconteceu.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o \u00e9 isso que chamar\u00edamos de projeto orientado pelo design versus projeto orientado pelo local e eles s\u00e3o t\u00e3o diferentes. \u00c9 realmente surpreendente o qu\u00e3o ruim algo pode ser. Este \u00e9 um lugar chamado Sherbourne Common, em Toronto, perto da orla. E h\u00e1 dois lados de uma rua e, de um lado, esse pr\u00e9dio. Ningu\u00e9m sabe o que \u00e9 o edif\u00edcio. Ele ganhou o pr\u00eamio de arquitetura no Canad\u00e1 naquele ano e ningu\u00e9m sabe o que \u00e9! \u00c9 uma esta\u00e7\u00e3o de filtragem de \u00e1gua.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o, bem ao lado disso, est\u00e1 o seguinte: de um lado, esse parque ou playground, se voc\u00ea quiser chamar assim. E em uma faixa de pedras negras h\u00e1 um tipo de uso e depois em outra faixa, de pedras brancas, gangorras e balan\u00e7os e alguns assentos. E o que aconteceu: est\u00e1vamos l\u00e1 e um casal, uma fam\u00edlia surgiu e a crian\u00e7a saiu e come\u00e7ou a brincar nesse parque. Mas ent\u00e3o ele percebeu, aquele garoto, que essas pedras brancas deveriam se misturar com as pedras negras. Ent\u00e3o ele come\u00e7ou a fazer isso e seus pais ficaram chateados, e eles rapidamente mudaram as pedras de volta para onde elas deveriam estar e foram embora. E ent\u00e3o outra fam\u00edlia veio. E havia dois filhos mais velhos e esses dois balan\u00e7os, mas eles estavam a quatro fileiras de dist\u00e2ncia. E, felizmente, com dois pais, um deles pode estar em um balan\u00e7o e o outro no outro. Mas eles n\u00e3o permaneceram muito e foram embora. E voc\u00ea se pergunta: como eles poderiam, como algu\u00e9m poderia projetar algo assim? Para quem foi projetado isso?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o que aconteceu \u00e9 que o designer realmente me ligou porque eu coloquei no &#8216;Hall da Vergonha&#8217;. E disse: &#8220;Fique fora do meu mundo, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 um profissional. Voc\u00ea n\u00e3o pode dizer nada sobre isso, porque \u00e9 sobre o profissional\u201d. Que os profissionais que fazem isso, s\u00e3o os que recebem os pr\u00eamios. E voc\u00ea sabe, eles me repreenderam por isto. E eu n\u00e3o poderia estar mais feliz, porque n\u00e3o consigo pensar em um tipo pior de lugar que algu\u00e9m poderia fazer!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o &#8230; Mas perto dali, em um lugar chamado parque Dufferin Grove, em outro bairro de Toronto, essa mulher, uma mulher gr\u00e1vida, entrou no parque. E h\u00e1 tudo isso que ela chamou de \u2018penachos\u2019. E eles, juntos, eles constru\u00edram um forno de p\u00e3o. O forno de p\u00e3o portugu\u00eas. E aqui est\u00e1. E trouxe todas essas pessoas da comunidade para aquele lugar. E eles t\u00eam todos esses eventos. E ent\u00e3o um grupo de pessoas construiu uma cozinha, com refei\u00e7\u00f5es ao ar livre, para que as pessoas pudessem entrar e comer l\u00e1. E ent\u00e3o houve uma apresenta\u00e7\u00e3o em um pequeno caminho que tinha colinas de ambos os lados, para que as pessoas pudessem sentar nessas colinas e assistir \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o o playground n\u00e3o poderia ter ficado mais bagun\u00e7ado, mais sujo, mas todo mundo queria estar l\u00e1. E ent\u00e3o eles tinham um pequeno cano onde a \u00e1gua saiu e tudo mais. Todas essas atividades poderiam realmente ocorrer neste local, e se tornou um verdadeiro destino da comunidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o: isso \u00e9 bom? Sim, claro, \u00e9 extraordin\u00e1rio. Mas quem fez isso? Foi uma comunidade que fez isso. E outra, rapidamente, est\u00e1 trabalhando em Detroit. Fomos levados para Detroit, no centro de Detroit, e fizemos um plano comunit\u00e1rio para a cidade, uma vis\u00e3o de \u2018placemaking\u2019 e eles implementaram a vis\u00e3o. Em cerca de quatro meses, estamos fazendo o que chamamos de &#8220;ativa\u00e7\u00f5es mais baratas, mais leves, mais r\u00e1pidas&#8221;. E algo assim se tornou isso, seis meses depois que fizemos o plano. E eles colocaram uma praia no centro de Detroit. E isso puxou todos os bairros para se tornar o destino de toda a cidade. Jogos foram trazidos para as pessoas jogarem, havia mercados e caf\u00e9s. E a pessoa que come\u00e7ou a construir sua identidade em Detroit, Dan Gilbert, comprou todos esses edif\u00edcios e criou esse espa\u00e7o p\u00fablico. Mas foi o espa\u00e7o p\u00fablico que levou ao resultado. Eles n\u00e3o aceitariam algo de pequenas propor\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o eles fizeram um espa\u00e7o p\u00fablico e o tornaram aberto e din\u00e2mico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ent\u00e3o, a estrat\u00e9gia para implementar algo assim \u00e9 \u2018mais leve, mais r\u00e1pida e mais barata\u2019. Voc\u00ea cria energia, \u00e2ncoras energ\u00e9ticas de atividade, cria uma multid\u00e3o de ideias, cria uma festa em movimento, ganha vida nas ruas e traz de dentro para fora. E esse se tornou de longe o maior destino de Detroit, e fez parte da incr\u00edvel reviravolta de toda a cidade de Detroit. Portanto, os projetos orientados pelo design, orientados pelo local, orientados pela comunidade e orientados a programas s\u00e3o realmente solu\u00e7\u00f5es e direcionamentos alternativos de como criar cidades do futuro.<\/span><\/p>\n<p><strong>Carolina Nunes:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obrigada, Fred, sou muito grata pelas suas contribui\u00e7\u00f5es. Obrigada por compartilhar isso.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Querida Katherine, \u00e9 um prazer ter voc\u00ea como convidada e coanfitri\u00e3 neste Di\u00e1logo Urbano. E eu tamb\u00e9m tenho uma pergunta para voc\u00ea:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O planejamento da resili\u00eancia urbana est\u00e1 se tornando cada vez mais importante neste contexto de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Muitas cidades ao redor do mundo est\u00e3o investindo em resili\u00eancia &#8220;cinza&#8221;, como muros e diques, e infraestrutura &#8220;verde&#8221;, como telhados verdes e jardins de chuva. Embora essas infra-estruturas tenham um papel importante, \u00e0s vezes podemos sentir uma &#8220;falta de humanidade&#8221; nesse processo. As pessoas n\u00e3o passam de n\u00fameros: o n\u00famero de pessoas afetadas por um evento clim\u00e1tico, o n\u00famero de pessoas protegidas ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas, etc. O planejamento urbano e de desastres s\u00e3o considerados separados do planejamento comunit\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, gostaria de perguntar: como podemos construir resili\u00eancia usando o processo de \u2018Placemaking\u2019? Por que isso \u00e9 importante? Como podemos melhorar n\u00e3o apenas os resultados esperados em caso de desastre, mas tamb\u00e9m as conex\u00f5es entre pessoas e natureza? Qual o papel dos espa\u00e7os p\u00fablicos no planejamento da resili\u00eancia, mas tamb\u00e9m na qualidade de vida?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Obrigada<\/span><\/p>\n<p><strong>Katherine Peinhardt:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Resili\u00eancia geralmente \u00e9 um termo que, quando as pessoas ouvem, pensam em muros de prote\u00e7\u00e3o contra o mar, ou em outras grandes infra-estruturas que protegem fisicamente uma comunidade dos impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. E embora isso fa\u00e7a parte, acho que se perde o ponto em que a infraestrutura social se relaciona com a maneira como reagimos a um choque ou perturba\u00e7\u00e3o, seja relacionada ao clima ou n\u00e3o. A resili\u00eancia, assim como a sustentabilidade, \u00e9 bastante multifacetada. E al\u00e9m de abordar os espa\u00e7os f\u00edsicos e como eles absorvem os impactos, ele se estende \u00e0 maneira como as comunidades funcionam e \u00e0 forma como interagimos, se h\u00e1 confian\u00e7a. Eu acho que a resili\u00eancia e o &#8216;placemaking&#8217; est\u00e3o ligados porque ambos se relacionam, ou dependem, muito da infraestrutura social. Portanto, o espa\u00e7o p\u00fablico e a organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o apoiam a infraestrutura social onde as pessoas estabelecem esses la\u00e7os cruciais, constroem confian\u00e7a e aprendem a contar umas com as outras nos momentos de necessidade. Como resultado, acho que o &#8216;placemaking&#8217; pode ser uma ferramenta realmente forte para a constru\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia. Focar muito em medidas \u2018f\u00edsicas\u2019, como escolhas de paisagismo, seria perder uma enorme oportunidade de cultivar o lado social da resili\u00eancia. E \u00e9 a\u00ed que entra o &#8216;placemaking&#8217;. Para finalizar: eu acho que, neste momento, h\u00e1 uma linha que une &#8216;placemaking&#8217; e a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica como comunidades de pr\u00e1tica. Na medida em que ambos parecem estar mudando a maneira como lidam e falam sobre equidade e inclus\u00e3o, como um foco norteador. Por exemplo: o movimento clim\u00e1tico, em geral, parece finalmente estar ouvindo as pessoas, que v\u00eam dizendo, h\u00e1 muito tempo, que a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica n\u00e3o pode ocorrer sem o reconhecimento e a a\u00e7\u00e3o sobre o racismo ambiental de longa data. Por outro lado, o &#8216;placemaking&#8217; tamb\u00e9m \u00e9 cada vez mais sobre escuta atenta. Aproveitar os recursos e o conhecimento de uma comunidade e, ao mesmo tempo, reconhecer sua hist\u00f3ria, especialmente as partes mais dif\u00edceis e complicadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o do &#8216;placemaking&#8217; \u00e9 que ele pode fortalecer nossas comunidades, n\u00e3o apenas nos piores dias em que temos que lidar com uma perturba\u00e7\u00e3o ou desastre de algum tipo, mas tamb\u00e9m nos melhores dias dos dias normais, quando apenas cria o pano de fundo para a vida social em uma cidade. Penso que existem algumas coisas que podem ajudar a guiar a mistura entre resili\u00eancia f\u00edsica e social, atrav\u00e9s das lentes do espa\u00e7o p\u00fablico.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E o primeiro deles seria tornar o espa\u00e7o \u00fatil no dia a dia. Para ilustrar isso: Esta \u00e9 uma foto do muro de prote\u00e7\u00e3o no Stanley Park, em Vancouver, que combina prote\u00e7\u00e3o contra inunda\u00e7\u00f5es com espa\u00e7os projetados para caminhadas e ciclismo, no maior e ininterrupto caminho mar\u00edtimo do mundo. Originalmente, visava principalmente a prote\u00e7\u00e3o contra inunda\u00e7\u00f5es. Mas, al\u00e9m de criar o que poderia facilmente ter sido um espa\u00e7o morto, com uma paisagem dura, inativa e resistente a inunda\u00e7\u00f5es, os projetistas do muro de prote\u00e7\u00e3o criaram uma das \u00e1reas de lazer preferidas da cidade, que conecta as destina\u00e7\u00f5es por toda a cidade. Portanto, a resili\u00eancia f\u00edsica, aqui, tem camadas de uso recreativo do dia a dia, funcional e vibrante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Minha segunda recomenda\u00e7\u00e3o seria tornar os espa\u00e7os p\u00fablicos um centro de recupera\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, para este, meu exemplo \u00e9 em Houston, Texas. Ap\u00f3s o furac\u00e3o Harvey, Houston ficou com muitas inunda\u00e7\u00f5es, o Baker Ripley Center foi rapidamente transformado em um centro de servi\u00e7os de emerg\u00eancia e volunt\u00e1rios, porque j\u00e1 era visto como um local bem equipado para fornecer servi\u00e7os comunit\u00e1rios, como creches, bibliotecas e um est\u00fadio de arte. Conseguiu permanecer como uma for\u00e7a motriz por tr\u00e1s dos processos de recupera\u00e7\u00e3o de desastres. Obviamente, essa mobiliza\u00e7\u00e3o exigiu muito esfor\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o, mas se tornou muito mais f\u00e1cil quando ocorre em um centro comunit\u00e1rio em que h\u00e1 confian\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Minha terceira recomenda\u00e7\u00e3o seria misturar usos sociais e f\u00edsicos. E para isso, meu exemplo est\u00e1 em Toronto. O Corktown Common Park, em Toronto, era uma antiga \u00e1rea industrial degradada, que agora faz um \u00f3timo trabalho ao misturar usos humanos e ecol\u00f3gicos de um espa\u00e7o. Combina os p\u00e2ntanos, pradarias urbanas e os sistemas de gerenciamento de \u00e1guas subterr\u00e2neas com caminhos e playgrounds que as pessoas podem usar. No n\u00edvel de resili\u00eancia f\u00edsica, a estrutura do parque divide a \u00e1rea em duas se\u00e7\u00f5es: uma delas, que foi projetada para inundar, e a outra, protegida pelo desenho do projeto, situada no topo das encostas das estruturas de reten\u00e7\u00e3o de inunda\u00e7\u00e3o. Mas em um dia sem enchentes, todos esses usos se fundem em um espa\u00e7o p\u00fablico coeso, e ativo durante o ano todo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seguida, eu recomendaria que as pessoas acomodassem as realidades locais da crise clim\u00e1tica, e adaptassem suas solu\u00e7\u00f5es, aos impactos reais que uma comunidade espec\u00edfica estar\u00e1 vendo. E para isso, quero falar sobre Hunter&#8217;s Point South e Long Island City. \u00c9 um antigo local p\u00f3s-industrial que foi reaproveitado como um espa\u00e7o \u00e0 beira-mar. E faz parte do plano de parques sustent\u00e1veis \u200b\u200bda cidade de Nova York, projetado para acomodar tempestades atrav\u00e9s de um sistema de p\u00e2ntanos e barreiras contra mar\u00e9s. Todos esses s\u00e3o recursos que foram testados preliminarmente sob a forma do furac\u00e3o Sandy. Al\u00e9m de seus programas de educa\u00e7\u00e3o ambiental e administra\u00e7\u00e3o, o parque est\u00e1 melhorando a resili\u00eancia da \u00e1rea, \u00e0 medida que protege os moradores do Queens dos impactos clim\u00e1ticos locais relevantes, como aumento do n\u00edvel do mar e tempestades mais fortes. Est\u00e1, entre uma s\u00e9rie de outros lugares na cidade de Nova York, projetado tendo o aumento do n\u00edvel do mar em mente, entre eles a ilha \u2018Governor&#8217;s Island\u2019.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Minha \u00faltima recomenda\u00e7\u00e3o seria atender \u00e0s necessidades locais de maneira l\u00fadica. Essa \u00e9 particularmente emocionante para mim, pois espero que seja um dos meus estudos de caso, no meu projeto de pesquisa agora. E todos sabemos que Roterd\u00e3 tem uma necessidade aparentemente constante de armazenamento de \u00e1guas pluviais, refletida na estrat\u00e9gia de resili\u00eancia clim\u00e1tica da cidade. Este \u00e9 o plano h\u00eddrico \u2018Benthemplein\u2019, parte do primeiro distrito \u2018\u00e0 prova do clima\u2019 de Roterd\u00e3. E \u00e9 uma pra\u00e7a de \u00e1gua alag\u00e1vel que incorpora assentos e um espa\u00e7o de recrea\u00e7\u00e3o aberto, mas que tamb\u00e9m funciona como infraestrutura de gerenciamento de \u00e1guas pluviais. Existem bacias por baixo que foram projetadas para patina\u00e7\u00e3o, conectadas por um sistema de calhas de a\u00e7o ao sistema de \u00e1guas abertas da cidade. Portanto, \u00e9 um exemplo de incorpora\u00e7\u00e3o de brincadeira e resili\u00eancia de uma s\u00f3 vez. E faz parte de um esfor\u00e7o mais amplo de Roterd\u00e3 para se transformar em uma esponja.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Qual o papel dos espa\u00e7os p\u00fablicos no planejamento da resili\u00eancia, mas tamb\u00e9m na qualidade de vida? O espa\u00e7o p\u00fablico est\u00e1 na intersec\u00e7\u00e3o de muitos dos desafios globais atuais, seja equidade, sa\u00fade p\u00fablica, qualidade do ar ou resili\u00eancia. Nossos parques, estradas e mercados s\u00e3o oportunidades para melhorar a qualidade de vida de muitas maneiras diferentes, seja atrav\u00e9s dos benef\u00edcios comprovados de sa\u00fade mental do acesso ao espa\u00e7o verde, ou de melhores resultados de seguran\u00e7a, provenientes de estradas que priorizam a sa\u00fade humana em vez do tr\u00e1fego de ve\u00edculos. Mas devemos ter em mente que eles s\u00f3 podem proporcionar esses benef\u00edcios quando s\u00e3o projetados, programados, mobiliados e gerenciados de forma eficaz, e com a contribui\u00e7\u00e3o de toda a comunidade, que \u00e9 onde entra o &#8216;placemaking&#8217;. Ter acesso ao espa\u00e7o p\u00fablico \u00e9 algo que h\u00e1 muito \u00e9 desigual dentre as cidades. Portanto, os benef\u00edcios do espa\u00e7o p\u00fablico geralmente n\u00e3o atingem as pessoas que moram longe dos parques, ou que n\u00e3o s\u00e3o bem servidas pelo transporte p\u00fablico e assim por diante. Mais uma vez, o espa\u00e7o p\u00fablico e a resili\u00eancia clim\u00e1tica devem ser impulsionados por uma inclus\u00e3o significativa, a fim de garantir que todos tenham acesso ao progresso alcan\u00e7ado em qualquer uma dessas \u00e1reas.<\/span><\/p>\n<p><strong>Katherine Peinhardt:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Agora eu tenho uma pergunta para voc\u00ea, Fred. Nos tempos em que grupos ambientalistas e clim\u00e1ticos, como \u2018Fridays for Future\u2019, est\u00e3o crescendo rapidamente, como voc\u00ea acha que o movimento de \u2018placemaking\u2019 e o movimento clim\u00e1tico podem convergir?<\/span><\/p>\n<p><strong>Fred Kent:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu quero falar sobre como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a cat\u00e1strofe global com a qual todos estamos confrontados podem ter um benef\u00edcio enorme ao trabalhar em comunidades em todo o mundo. E acreditamos firmemente que tornar as comunidades saud\u00e1veis \u200b\u200be bem-sucedidas, em torno de amplas quest\u00f5es, como converg\u00eancia de sustentabilidade, sistemas alimentares locais, transporte e preserva\u00e7\u00e3o, economias locais, energia e consumo, resili\u00eancia: tudo isso se reunindo em locais espec\u00edficos. E que pode ter, coletivamente, enorme impacto no futuro do planeta e no futuro de todas as comunidades. Todo mundo ganha. E todos n\u00f3s podemos nos tornar parte de um mundo em que queremos viver, em que podemos viver, e isso dar\u00e1 um futuro ao planeta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, se n\u00f3s &#8230; Uma das coisas mais b\u00e1sicas \u00e9 o local de encontro. O local de encontro central, a pra\u00e7a c\u00edvica, a pra\u00e7a p\u00fablica que h\u00e1 muito \u00e9 reconhecida. Mesmo as culturas ind\u00edgenas teriam esses locais de reuni\u00e3o em volta de uma fogueira em lugares distantes. E como as cidades se desenvolveram at\u00e9 os \u00faltimos 100 anos. Elas foram constru\u00eddas em torno de uma s\u00e9rie de pontos de encontro de pra\u00e7as. Ent\u00e3o o carro apareceu, e o futuro das cidades se transformou em uma malha vi\u00e1ria, que tirou toda a ideia do espa\u00e7o central de encontro. E perdemos isso, e temos que voltar a isso. E uma das maneiras pelas quais voc\u00ea pode fazer isso \u00e9 agir dessa maneira:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eis a Universidade de Harvard, e este \u00e9 o antigo campus de Harvard. E por 375 anos n\u00e3o havia nada l\u00e1 e, de repente, um dia eles colocaram cadeiras l\u00e1 fora. E cadeiras de tipos diferentes para que as pessoas pudessem fazer coisas diferentes nelas. Era apenas aquela simples ideia de que isso poderia ser feito, isso poderia ser mudado. E ent\u00e3o, toda a ideia de ter mercados, voc\u00ea pode ter um mercado para consertar computadores, ou seu liquidificador, ou o que quer que seja. Todas essas coisas podem ser feitas por pessoas que sabem como faz\u00ea-lo. Mas esses mercados s\u00e3o consagrados pelo tempo, seu hist\u00f3rico tamb\u00e9m desde o in\u00edcio dos tempos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E voc\u00ea pode tomar as ruas. Perdemos completamente a ideia das ruas como espa\u00e7os p\u00fablicos, mas voc\u00ea pode devolver isso a elas. E este lugar em Buenos Aires toma a rua de volta e faz uma pra\u00e7a onde era um cruzamento. E ent\u00e3o voc\u00ea pode aplicar o design, em vez de criar objetos que ganham um pr\u00eamio de design. Voc\u00ea pode realmente criar o embasamento de um edif\u00edcio que fica ao n\u00edvel dos olhos. \u00c9 uma atra\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 definida pelas pessoas e n\u00e3o pela arquitetura. E voc\u00ea pode ter edif\u00edcios realmente bonitos na escala humana. E ent\u00e3o toda a ideia dos centros comunit\u00e1rios: como transformar uma biblioteca e um centro cultural inteiros em uma s\u00e9rie de lugares definidos pela natureza humana?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E voc\u00ea pode aproveitar as margens do rio, \u00e0 medida que elas se tornam centrais na defini\u00e7\u00e3o de uma cidade. Lugares como Porto, em Portugal, s\u00e3o definidos pela orla fluvial de ambos os lados. \u00c9 uma das mais extraordin\u00e1rias orlas p\u00fablicas de todo o mundo. E voc\u00ea pode pegar destinos culturais e tir\u00e1-los de seus edif\u00edcios. E coloc\u00e1-los perto do rio, como uma livraria, ou um grande quadro-negro, e ver as pessoas se envolverem totalmente nisso. E querendo estar e chegar l\u00e1 regularmente. E ent\u00e3o voc\u00ea pode ter toda a ideia de diferentes itens, ou pe\u00e7as de arte e escultura. E as pessoas podem vir e rolar pela grama artificial e subir nas est\u00e1tuas. E voc\u00ea tem uma quantidade enorme de risadas e prazer, e pessoas de diferentes culturas se juntam. E esse lugar se torna sagrado em suas mentes. E voc\u00ea tamb\u00e9m pode simplesmente oferecer \u00f3timas instala\u00e7\u00f5es, como cadeiras e flores e, de repente, descobrir\u00e1 que \u00e9 para onde os casais apaixonados v\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ent\u00e3o, vou encerrar com isso, temos essa frase, com uma ideia realmente fant\u00e1stica: se a arquitetura \u00e9 m\u00fasica congelada (que hoje em grande parte \u00e9 isso) e o planejamento \u00e9 composi\u00e7\u00e3o, &#8216;placemaking&#8217; \u00e9 uma performance de rua improvisada. E \u00e9 essa improvisa\u00e7\u00e3o, esse processo interativo de criar lugares dos quais as pessoas querem fazer parte, que pode realmente produzir um futuro do qual todos queremos fazer parte. Portanto, a ideia de que esses movimentos se re\u00fanem em um local definido pelas comunidades, cada comunidade de maneira diferente por sua pr\u00f3pria identidade e sustentabilidade, podemos ter um planeta que est\u00e1 prosperando para todos. \u00c9 inclusivo, equitativo, din\u00e2mico, e \u00e9 um exemplo muito poderoso. Comunidade por comunidade do mundo, podemos viver juntos para o futuro.<\/span><\/p>\n<p><strong>Carolina Nunes:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muito obrigada Fred! E muito obrigada Katherine! As respostas de voc\u00eas foram muito \u00fateis.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muitas vezes, a arquitetura e urbanismo se preocupam demasiadamente com a imagem, com a foto dos lugares, em vez de se preocuparem com a maneira como os espa\u00e7os ser\u00e3o apropriados pelas comunidades em que os projetos est\u00e3o inseridos. Da mesma forma, o planejamento de resili\u00eancia frequentemente se preocupa com aspectos f\u00edsicos da resili\u00eancia, deixando aspectos humanos em segundo plano. E as reflex\u00f5es de voc\u00eas foram muito importantes, trazendo as pessoas para o centro das discuss\u00f5es, e o \u2018placemaking\u2019 traz essa experi\u00eancia das comunidades para criarmos melhores espa\u00e7os p\u00fablicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muito obrigada!<\/span><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste Di\u00e1logo Urbano, nossos convidados Fred Kent e Katherine Peinhardt debatem &#8216;Placemaking&#8217; como estrat\u00e9gia para a constru\u00e7\u00e3o de espacos p\u00fablicos melhores e mais resilientes.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[11,13,2],"tags":[],"class_list":["post-930","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-capa","category-destaque","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/humanitat.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/fred-kent-katherine-peinhardt-carolina-nunes.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=930"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":949,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/930\/revisions\/949"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/media\/943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/humanitat.com.br\/pb\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}